COMÉRCIO EXTERIOR - Novoex entra em funcionamento definitivo no dia 15 de março / André Diniz
Portaria Secex define ainda novo cronograma para que operações de Registro de Exportação sejam substituídas.
A Portaria nº 4 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), publicada nesta quinta-feira (20/1) no Diário Oficial da União, prorrogou o prazo para o funcionamento concomitante do Novo Módulo do Siscomex Exportação Web (Novoex) com o Siscomex para o dia 15 de março. O prazo anteriormente estipulado para o desligamento definitivo do antigo sistema era 31 de janeiro.
A portaria define ainda um novo cronograma para que as operações sejam feitas apenas no novo sistema em substituição ao antigo. A partir de hoje, os Registros de Exportação (REs) sujeitos a tratamento de cotas somente poderão ser feitos no Novoex, conforme já estava previsto anteriormente na Portaria Secex nº 2
No entanto, os REs referentes ao regime drawback somente deverão ser registrados no Novoex a partir do dia 1º de fevereiro e os REs vinculados aos Registros de Crédito (RCs) devem ser feitos apenas no Novoex a partir de 15 de março. A portaria Secex nº 2 previa como prazo final para estes registros o dia 20 de janeiro.
Modernização
O Novoex pode ser acessado diretamente na internet, sem a necessidade de instalação de programas adicionais nos computadores dos usuários. Pelo sistema, os usuários podem gravar os REs e os RCs, estes últimos feitos para as exportações financiadas com recursos tanto privados como públicos.
Com novas funcionalidades, o Novoex possibilita o aproveitamento de informações de registros anteriores e ainda permite que os usuários possam fazer REs por lotes, o que facilita o trabalho dos operadores, além de reduzir o tempo das operações. O Novoex apresenta ainda interface mais interativa para os usuários, maior visibilidade do processo pelo exportador e pelo anuente, e permite a simulação prévia do RE.
Entre outras inovações do novo sistema podem ser destacadas a totalização online dos valores e quantidades informados pelo exportador com críticas para valores incompatíveis. No Novoex, serão efetuadas apenas as operações comerciais (RE e RC), sendo que todas as operações aduaneiras continuam a ser realizadas da mesma forma nos sistemas da Receita Federal.
Para solicitar informações e tirar dúvidas, envie mensagem para novoex@mdic.gov.br ou acesse a Portaria nº 4 da Secex.
Fonte: ASCOM MDIC (21/1/2011)
Saturday, January 22, 2011
NOVOEX ENTRA EN FUNCIONAMENTO NO DIA 15 DE MARCO 2011
COMÉRCIO EXTERIOR - Novoex entra em funcionamento definitivo no dia 15 de março / André Diniz
Portaria Secex define ainda novo cronograma para que operações de Registro de Exportação sejam substituídas.
A Portaria nº 4 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), publicada nesta quinta-feira (20/1) no Diário Oficial da União, prorrogou o prazo para o funcionamento concomitante do Novo Módulo do Siscomex Exportação Web (Novoex) com o Siscomex para o dia 15 de março. O prazo anteriormente estipulado para o desligamento definitivo do antigo sistema era 31 de janeiro.
A portaria define ainda um novo cronograma para que as operações sejam feitas apenas no novo sistema em substituição ao antigo. A partir de hoje, os Registros de Exportação (REs) sujeitos a tratamento de cotas somente poderão ser feitos no Novoex, conforme já estava previsto anteriormente na Portaria Secex nº 2
No entanto, os REs referentes ao regime drawback somente deverão ser registrados no Novoex a partir do dia 1º de fevereiro e os REs vinculados aos Registros de Crédito (RCs) devem ser feitos apenas no Novoex a partir de 15 de março. A portaria Secex nº 2 previa como prazo final para estes registros o dia 20 de janeiro.
Modernização
O Novoex pode ser acessado diretamente na internet, sem a necessidade de instalação de programas adicionais nos computadores dos usuários. Pelo sistema, os usuários podem gravar os REs e os RCs, estes últimos feitos para as exportações financiadas com recursos tanto privados como públicos.
Com novas funcionalidades, o Novoex possibilita o aproveitamento de informações de registros anteriores e ainda permite que os usuários possam fazer REs por lotes, o que facilita o trabalho dos operadores, além de reduzir o tempo das operações. O Novoex apresenta ainda interface mais interativa para os usuários, maior visibilidade do processo pelo exportador e pelo anuente, e permite a simulação prévia do RE.
Entre outras inovações do novo sistema podem ser destacadas a totalização online dos valores e quantidades informados pelo exportador com críticas para valores incompatíveis. No Novoex, serão efetuadas apenas as operações comerciais (RE e RC), sendo que todas as operações aduaneiras continuam a ser realizadas da mesma forma nos sistemas da Receita Federal.
Para solicitar informações e tirar dúvidas, envie mensagem para novoex@mdic.gov.br ou acesse a Portaria nº 4 da Secex.
Fonte: ASCOM MDIC (21/1/2011)
Portaria Secex define ainda novo cronograma para que operações de Registro de Exportação sejam substituídas.
A Portaria nº 4 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), publicada nesta quinta-feira (20/1) no Diário Oficial da União, prorrogou o prazo para o funcionamento concomitante do Novo Módulo do Siscomex Exportação Web (Novoex) com o Siscomex para o dia 15 de março. O prazo anteriormente estipulado para o desligamento definitivo do antigo sistema era 31 de janeiro.
A portaria define ainda um novo cronograma para que as operações sejam feitas apenas no novo sistema em substituição ao antigo. A partir de hoje, os Registros de Exportação (REs) sujeitos a tratamento de cotas somente poderão ser feitos no Novoex, conforme já estava previsto anteriormente na Portaria Secex nº 2
No entanto, os REs referentes ao regime drawback somente deverão ser registrados no Novoex a partir do dia 1º de fevereiro e os REs vinculados aos Registros de Crédito (RCs) devem ser feitos apenas no Novoex a partir de 15 de março. A portaria Secex nº 2 previa como prazo final para estes registros o dia 20 de janeiro.
Modernização
O Novoex pode ser acessado diretamente na internet, sem a necessidade de instalação de programas adicionais nos computadores dos usuários. Pelo sistema, os usuários podem gravar os REs e os RCs, estes últimos feitos para as exportações financiadas com recursos tanto privados como públicos.
Com novas funcionalidades, o Novoex possibilita o aproveitamento de informações de registros anteriores e ainda permite que os usuários possam fazer REs por lotes, o que facilita o trabalho dos operadores, além de reduzir o tempo das operações. O Novoex apresenta ainda interface mais interativa para os usuários, maior visibilidade do processo pelo exportador e pelo anuente, e permite a simulação prévia do RE.
Entre outras inovações do novo sistema podem ser destacadas a totalização online dos valores e quantidades informados pelo exportador com críticas para valores incompatíveis. No Novoex, serão efetuadas apenas as operações comerciais (RE e RC), sendo que todas as operações aduaneiras continuam a ser realizadas da mesma forma nos sistemas da Receita Federal.
Para solicitar informações e tirar dúvidas, envie mensagem para novoex@mdic.gov.br ou acesse a Portaria nº 4 da Secex.
Fonte: ASCOM MDIC (21/1/2011)
Thursday, January 6, 2011
COMERCIO EXTERIOR BRASIL 2010 RESULTADOS
COMÉRCIO EXTERIOR - Perda de qualidade nas vendas externas / Editorial econômico
Os resultados do comércio exterior de 2010 acusam redução de 19,8% no saldo da balança comercial, embora as exportações apresentem aumento de 31,4% pela média por dia útil, que acabou contrabalançado pelo aumento de 41,6% das importações.
Esses resultados, que destacam os efeitos negativos da valorização do real ante o dólar, escondem uma deterioração da qualidade das vendas externas, com as commodities superando as exportações de produtos industrializados, graças a uma demanda excepcional dos países asiáticos de produtos agrícolas, que favoreceram uma forte alta de preços. O resultado de dezembro é meio duvidoso, por causa de uma alta anormal das exportações de petróleo bruto.
Verifica-se, em face do resultado global das exportações do ano, que o Brasil está se transformando em vendedor de commodities, cujo aumento foi de 44,7%. Isso, em si, não seria negativo, se a expansão não dependesse de um número reduzido de países, com destaque para a China, ou de condições climáticas anormais que contribuíram para uma elevação excepcional de preços.
Comparados os preços de dezembro de 2009 com os de dezembro último, observa-se uma alta de 37,7% para o café, de 34,8% para a carne bovina, de 29,1% para o óleo de soja em bruto, de 27,5% para o milho e de 25,9% para o açúcar em bruto. Além do minério de ferro, cujo preço em um ano cresceu 142,2%, houve para os produtos semimanufaturados um aumento de 24,1% para os de ferro/aço, de 20,7% para a celulose e de 18,2% para o alumínio.
Em compensação, os produtos manufaturados que representavam 44,0% do total exportado em 2009, viram sua participação cair para 39,4%, com exportações que aumentaram apenas 17,7% no ano passado, o que parece indicar uma grave perda de competitividade da indústria brasileira, cuja exportação é essencialmente de bens montados no Brasil com componentes importados.
No mês de dezembro o petróleo bruto representou 27,9% do total exportado no ano de 2010, e o volume foi 89,9 % maior que o de novembro, enquanto o preço cresceu apenas 1,9%.
É lícito perguntar se um resultado tão brilhante no último mês do ano, com um superávit da balança comercial que representou 36% do obtido nos meses anteriores, não indica alguma manipulação dos dados, sabendo-se que a exportação de petróleo, ao contrário da de outros bens, é fornecida pela Petrobrás, e não pelas autoridades aduaneiras.
Fonte: O Estado de São Paulo (5/1/2011
Os resultados do comércio exterior de 2010 acusam redução de 19,8% no saldo da balança comercial, embora as exportações apresentem aumento de 31,4% pela média por dia útil, que acabou contrabalançado pelo aumento de 41,6% das importações.
Esses resultados, que destacam os efeitos negativos da valorização do real ante o dólar, escondem uma deterioração da qualidade das vendas externas, com as commodities superando as exportações de produtos industrializados, graças a uma demanda excepcional dos países asiáticos de produtos agrícolas, que favoreceram uma forte alta de preços. O resultado de dezembro é meio duvidoso, por causa de uma alta anormal das exportações de petróleo bruto.
Verifica-se, em face do resultado global das exportações do ano, que o Brasil está se transformando em vendedor de commodities, cujo aumento foi de 44,7%. Isso, em si, não seria negativo, se a expansão não dependesse de um número reduzido de países, com destaque para a China, ou de condições climáticas anormais que contribuíram para uma elevação excepcional de preços.
Comparados os preços de dezembro de 2009 com os de dezembro último, observa-se uma alta de 37,7% para o café, de 34,8% para a carne bovina, de 29,1% para o óleo de soja em bruto, de 27,5% para o milho e de 25,9% para o açúcar em bruto. Além do minério de ferro, cujo preço em um ano cresceu 142,2%, houve para os produtos semimanufaturados um aumento de 24,1% para os de ferro/aço, de 20,7% para a celulose e de 18,2% para o alumínio.
Em compensação, os produtos manufaturados que representavam 44,0% do total exportado em 2009, viram sua participação cair para 39,4%, com exportações que aumentaram apenas 17,7% no ano passado, o que parece indicar uma grave perda de competitividade da indústria brasileira, cuja exportação é essencialmente de bens montados no Brasil com componentes importados.
No mês de dezembro o petróleo bruto representou 27,9% do total exportado no ano de 2010, e o volume foi 89,9 % maior que o de novembro, enquanto o preço cresceu apenas 1,9%.
É lícito perguntar se um resultado tão brilhante no último mês do ano, com um superávit da balança comercial que representou 36% do obtido nos meses anteriores, não indica alguma manipulação dos dados, sabendo-se que a exportação de petróleo, ao contrário da de outros bens, é fornecida pela Petrobrás, e não pelas autoridades aduaneiras.
Fonte: O Estado de São Paulo (5/1/2011
COMO RESOLVER A QUESTAO CAMBIAL NO BRASIL ?
APRECIAÇÃO DO REAL - CNI quer medidas mais eficazes para resolver a questão cambial
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, cobrou ontem celeridade do governo na divulgação de medidas concretas para combater a forte desvalorização do dólar frente ao real.
Ao comentar a atitude do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na terça-feira convocou uma entrevista coletiva, mas frustrou expectativas ao não anunciar nenhuma ação prática em relação ao câmbio, Andrade destacou que o que acalma e deixa o mercado mais tranquilo são somente medidas efetivas. "Às vezes você falar que vai fazer medidas deixa a gente até um pouco mais inquieto porque você não sabe que medidas são essas", observou Andrade.
Evitando críticas diretas, o presidente da CNI disse que compreendia a intenção do titular da Fazenda de sinalizar a atenção do governo em relação ao problema. Mas tratou o alarme falso com certa ironia. "No momento em que ele convocou a coletiva, a gente tinha a impressão de que ele ia divulgar alguma medida concreta, mas de concreto mesmo ele falou que o salário mínimo vai ser de R$ 540."
Andrade mostrou-se pouco otimista em relação à meta numérica para a política cambial e de comércio externo em 2011. O ministro falou em um superávit comercial de US$ 20 bilhões, o mesmo realizado no ano passado. "As previsões para este ano são de déficit", salientou o presidente da CNI, destacando que o saldo da balança comercial brasileira está baseado na exportação de commodities.
Segundo ele, a pauta de exportação deve necessariamente abranger produtos manufaturados e com conteúdo tecnológico. "Seria muito bom se fosse US$ 20 bilhões novamente. Mas, mesmo assim, todo saldo da balança comercial que nós temos hoje são pelas commodities." Antes de participar de uma visita de cortesia ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), Andrade destacou que a situação do câmbio frustra e contribui significativamente para a redução da competitividade da indústria nacional.
"A indústria brasileira hoje não tem competitividade para participar do mercado externo. E não tem competitividade porque o câmbio está supervalorizado, o real. Porque nós temos ainda muitos custos tributários inerentes aos produtos exportados, a nossa infraestrutura não é adequada", ressaltou. "Esperamos medidas urgentes, imediatas, que possam reverter essa situação", enfatiza Andrade.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, cobrou ontem celeridade do governo na divulgação de medidas concretas para combater a forte desvalorização do dólar frente ao real.
Ao comentar a atitude do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na terça-feira convocou uma entrevista coletiva, mas frustrou expectativas ao não anunciar nenhuma ação prática em relação ao câmbio, Andrade destacou que o que acalma e deixa o mercado mais tranquilo são somente medidas efetivas. "Às vezes você falar que vai fazer medidas deixa a gente até um pouco mais inquieto porque você não sabe que medidas são essas", observou Andrade.
Evitando críticas diretas, o presidente da CNI disse que compreendia a intenção do titular da Fazenda de sinalizar a atenção do governo em relação ao problema. Mas tratou o alarme falso com certa ironia. "No momento em que ele convocou a coletiva, a gente tinha a impressão de que ele ia divulgar alguma medida concreta, mas de concreto mesmo ele falou que o salário mínimo vai ser de R$ 540."
Andrade mostrou-se pouco otimista em relação à meta numérica para a política cambial e de comércio externo em 2011. O ministro falou em um superávit comercial de US$ 20 bilhões, o mesmo realizado no ano passado. "As previsões para este ano são de déficit", salientou o presidente da CNI, destacando que o saldo da balança comercial brasileira está baseado na exportação de commodities.
Segundo ele, a pauta de exportação deve necessariamente abranger produtos manufaturados e com conteúdo tecnológico. "Seria muito bom se fosse US$ 20 bilhões novamente. Mas, mesmo assim, todo saldo da balança comercial que nós temos hoje são pelas commodities." Antes de participar de uma visita de cortesia ao governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), Andrade destacou que a situação do câmbio frustra e contribui significativamente para a redução da competitividade da indústria nacional.
"A indústria brasileira hoje não tem competitividade para participar do mercado externo. E não tem competitividade porque o câmbio está supervalorizado, o real. Porque nós temos ainda muitos custos tributários inerentes aos produtos exportados, a nossa infraestrutura não é adequada", ressaltou. "Esperamos medidas urgentes, imediatas, que possam reverter essa situação", enfatiza Andrade.
Wednesday, January 5, 2011
DEFESA COMERCIAL BRASILEIRA E FRACA
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, disse que a defesa comercial do Brasil é "fraca". Para o dirigente da principal organização empresarial do País, os instrumentos para coibir a entrada de importação ilegal ou desleal são "lentos e demorados". "Temos poucas pessoas nessa área e a coordenação é pulverizada."
Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Andrade assumiu o cargo na CNI no fim de outubro em meio às reclamações do empresariado contra a "invasão" de produtos importados. Ele nega que exista uma desindustrialização no Brasil provocada pelo câmbio, mas diz que alguns setores correm o risco de desaparecer. A seguir trechos da entrevista ao Estado.
A CNI fez um extenso documento com suas sugestões para o próximo governo. O senhor poderia apontar três prioridades?
Desonerar a exportação, desonerar o investimento e melhorar a infraestrutura. A competitividade da indústria brasileira está muito atrelada a esses três pontos. O Brasil precisa ampliar os investimentos, porque geram emprego e desenvolvimento de tecnologia. Mas a capacidade de investimento do setor privado diminui muito por causa da carga tributária. No mundo inteiro, os investimentos são desonerados. O segundo ponto é as exportações, que estão perdendo competitividade.
Quais são as perspectivas para as exportações?
A taxa cambial penaliza o produto brasileiro e facilita a importação. A alta tributação e a infraestrutura inadequada tira competitividade dos produtos brasileiros, principalmente manufaturados. Nas commodities, o Brasil é muito competitivo, por questões intrínsecas ao País. Como o preço internacional está alto, exportamos muitas commodities. Nos manufaturados, temos dificuldade. O mercado internacional é uma guerra. Não podemos nos dar ao luxo de perder posições.
Analistas esperam superávit forte para 2011 por causa dos altos preços das commodities.
Não é a nossa avaliação. Nos manufaturados, as importações crescem muito e as exportações caem. As commodities já estão com um preço elevado no mercado internacional. No aço, por exemplo, a China comprou um excedente grande, que não consegue vender internamente e está exportando. Por isso, não acredito um aumento do superávit com as commodities.
O pacote do governo de apoio às exportações não saiu do papel. É preciso retomar isso?
Sim. É hora de repensar a política de comércio internacional. Temos os mecanismos, mas é preciso que estejam bem orientados. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) agrega técnicos competentes de diversos ministérios, mas precisa de uma melhor coordenação das políticas, inclusive de defesa comercial. A defesa comercial do Brasil é muito fraca. É lenta, demorada, temos poucas pessoas e coordenação pulverizada.
Por que o senhor considera a defesa comercial fraca?
Temos poucas pessoas. Nos Estados Unidos, quase 100 pessoas trabalham nessa área. No Brasil, é muito menos, para um país enorme, com produtos entrando por diversos portos e aeroportos. São pessoas muito competentes, mas são poucos e estão desarticulados. Não temos uma orientação que permeie todos os ministérios.
Os empresários reclamam de "invasão" dos importados. O que o governo poderia fazer?
Temos mecanismos que não ferem os acordos da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mas é preciso que a Camex tenha uma autoridade acima dos ministérios, uma coordenação de ação conjunta. Precisamos de uma política de barreiras não tarifárias, de barreiras técnicas. O Inmetro, que está sob coordenação do MDIC, tem que funcionar com essa orientação. Hoje existem uma série de exigências para o produto nacional, mas não para o importado. Por exemplo, os fogos de artifício. Existem polos de produção de fogos em SP e em MG, que estão sob controle rigoroso do Ministério da Defesa. Mas não fazem as mesmas verificações dos produtos importados da China e da Espanha.
Existe desindustrialização?
Não acho que o termo correto seja desindustrialização. O que está acontecendo é que alguns setores estão perdendo competitividade. Esses setores correm o risco de desaparecer. Posso citar como exemplo componentes, eletrônicos, eletrodomésticos. Mas não existe uma desindustrialização geral da economia. As fábricas estão com 82% da capacidade instalada ocupada, o que demonstra que estamos trabalhando.
O real está sobrevalorizado? O governo deveria intervir?
O real está sobrevalorizado, mas não acho que deveria haver um câmbio artificial. Temos que criar condições para que o câmbio volte para um patamar adequado. Hoje entram recursos para aplicação especulativa no Brasil. Temos que coibir, temos que taxar, seja com mais Imposto de Renda, IOF, ou quarentena. É preciso reduzir o ganho da aplicação especulativa.
No seu discurso de posse, o senhor disse que o investimento estrangeiro deveria ficar restrito a projetos voltados para a exportação. Pode explicar melhor?
No Brasil, os recursos entram de duas formas: uma especulativa e outra para o investimento. Quando esse investimento é voltado para a infraestrutura, como saneamento, rodovias, energia, é benéfico porque traz competitividade para a indústria brasileira e para as exportações. Se o capital estrangeiro chega apenas para explorar o mercado interno, vai competir com a empresa brasileira e tirar mercado. Os investidores estrangeiros desenvolveram tecnologia fora do País e possuem técnicos e engenheiros bem formados. Logo, a competição com a indústria brasileira é desigual. O que eu disse é que os investimentos estrangeiros, excluindo infraestrutura, deveriam ser voltados, pelo menos uma parcela, para a exportação. Assim ajudariam a balança comercial.
Qual é a sua avaliação sobre o investimento chinês no Brasil?
Vejo com muita preocupação. Temos que criar uma espécie de reciprocidade. Não é possível investir na China em mineração sem que o governo concorde e participe. Não é possível investir na China no setor de serviços, como software. Por que nós deveríamos permitir? Qual é o objetivo do chinês quando vem comprar uma empresa de mineração no Brasil? O objetivo não é só ganhar dinheiro e ajudar o crescimento do País. O chinês vem para garantir o suprimento de uma matéria prima a preços competitivos. Daí produz o bem final na China e exporta para nós.
A presidente eleita Dilma Rousseff disse que uma de suas metas é baixar o juros real para 2%. É possível?
Sim. A única âncora da estabilidade tem sido o aumento de juros, utilizado para combater a inflação. Não pode seguir assim. Mas temos que reduzir a Selic de maneira responsável. A intenção anunciada pelo governo de cortar suas despesas vai no sentido de reduzir a Selic.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ganhou musculatura, mas recentemente a CNI recuperou espaço. Existe uma disputa?
Não tem disputa nenhuma. Quanto mais forte for a Fiesp, mais forte será a CNI, porque a Fiesp faz parte da CNI. A força da CNI na discussão dos grandes temas também vai facilitar para que a Fiesp discuta sua própria agenda. Uma coisa complementa a outra. Agora a CNI vai ser forte no Brasil inteiro, principalmente em São Paulo. Abrimos um escritório em São Paulo e vamos ficar mais fortes ainda.
QUEM É
Mineiro de São João Del Rey, Robson Braga de Andrade, 61 anos, é o 13º presidente da CNI, entidade de 72 anos. Engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andrade preside a Orteng Equipamentos e Sistemas, sediada em Contagem (MG), que produz equipamentos para os segmentos de energia, petróleo, gás, mineração, siderurgia, saneamento, telecomunicações e transportes.
Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Andrade assumiu o cargo na CNI no fim de outubro em meio às reclamações do empresariado contra a "invasão" de produtos importados. Ele nega que exista uma desindustrialização no Brasil provocada pelo câmbio, mas diz que alguns setores correm o risco de desaparecer. A seguir trechos da entrevista ao Estado.
A CNI fez um extenso documento com suas sugestões para o próximo governo. O senhor poderia apontar três prioridades?
Desonerar a exportação, desonerar o investimento e melhorar a infraestrutura. A competitividade da indústria brasileira está muito atrelada a esses três pontos. O Brasil precisa ampliar os investimentos, porque geram emprego e desenvolvimento de tecnologia. Mas a capacidade de investimento do setor privado diminui muito por causa da carga tributária. No mundo inteiro, os investimentos são desonerados. O segundo ponto é as exportações, que estão perdendo competitividade.
Quais são as perspectivas para as exportações?
A taxa cambial penaliza o produto brasileiro e facilita a importação. A alta tributação e a infraestrutura inadequada tira competitividade dos produtos brasileiros, principalmente manufaturados. Nas commodities, o Brasil é muito competitivo, por questões intrínsecas ao País. Como o preço internacional está alto, exportamos muitas commodities. Nos manufaturados, temos dificuldade. O mercado internacional é uma guerra. Não podemos nos dar ao luxo de perder posições.
Analistas esperam superávit forte para 2011 por causa dos altos preços das commodities.
Não é a nossa avaliação. Nos manufaturados, as importações crescem muito e as exportações caem. As commodities já estão com um preço elevado no mercado internacional. No aço, por exemplo, a China comprou um excedente grande, que não consegue vender internamente e está exportando. Por isso, não acredito um aumento do superávit com as commodities.
O pacote do governo de apoio às exportações não saiu do papel. É preciso retomar isso?
Sim. É hora de repensar a política de comércio internacional. Temos os mecanismos, mas é preciso que estejam bem orientados. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) agrega técnicos competentes de diversos ministérios, mas precisa de uma melhor coordenação das políticas, inclusive de defesa comercial. A defesa comercial do Brasil é muito fraca. É lenta, demorada, temos poucas pessoas e coordenação pulverizada.
Por que o senhor considera a defesa comercial fraca?
Temos poucas pessoas. Nos Estados Unidos, quase 100 pessoas trabalham nessa área. No Brasil, é muito menos, para um país enorme, com produtos entrando por diversos portos e aeroportos. São pessoas muito competentes, mas são poucos e estão desarticulados. Não temos uma orientação que permeie todos os ministérios.
Os empresários reclamam de "invasão" dos importados. O que o governo poderia fazer?
Temos mecanismos que não ferem os acordos da OMC (Organização Mundial do Comércio). Mas é preciso que a Camex tenha uma autoridade acima dos ministérios, uma coordenação de ação conjunta. Precisamos de uma política de barreiras não tarifárias, de barreiras técnicas. O Inmetro, que está sob coordenação do MDIC, tem que funcionar com essa orientação. Hoje existem uma série de exigências para o produto nacional, mas não para o importado. Por exemplo, os fogos de artifício. Existem polos de produção de fogos em SP e em MG, que estão sob controle rigoroso do Ministério da Defesa. Mas não fazem as mesmas verificações dos produtos importados da China e da Espanha.
Existe desindustrialização?
Não acho que o termo correto seja desindustrialização. O que está acontecendo é que alguns setores estão perdendo competitividade. Esses setores correm o risco de desaparecer. Posso citar como exemplo componentes, eletrônicos, eletrodomésticos. Mas não existe uma desindustrialização geral da economia. As fábricas estão com 82% da capacidade instalada ocupada, o que demonstra que estamos trabalhando.
O real está sobrevalorizado? O governo deveria intervir?
O real está sobrevalorizado, mas não acho que deveria haver um câmbio artificial. Temos que criar condições para que o câmbio volte para um patamar adequado. Hoje entram recursos para aplicação especulativa no Brasil. Temos que coibir, temos que taxar, seja com mais Imposto de Renda, IOF, ou quarentena. É preciso reduzir o ganho da aplicação especulativa.
No seu discurso de posse, o senhor disse que o investimento estrangeiro deveria ficar restrito a projetos voltados para a exportação. Pode explicar melhor?
No Brasil, os recursos entram de duas formas: uma especulativa e outra para o investimento. Quando esse investimento é voltado para a infraestrutura, como saneamento, rodovias, energia, é benéfico porque traz competitividade para a indústria brasileira e para as exportações. Se o capital estrangeiro chega apenas para explorar o mercado interno, vai competir com a empresa brasileira e tirar mercado. Os investidores estrangeiros desenvolveram tecnologia fora do País e possuem técnicos e engenheiros bem formados. Logo, a competição com a indústria brasileira é desigual. O que eu disse é que os investimentos estrangeiros, excluindo infraestrutura, deveriam ser voltados, pelo menos uma parcela, para a exportação. Assim ajudariam a balança comercial.
Qual é a sua avaliação sobre o investimento chinês no Brasil?
Vejo com muita preocupação. Temos que criar uma espécie de reciprocidade. Não é possível investir na China em mineração sem que o governo concorde e participe. Não é possível investir na China no setor de serviços, como software. Por que nós deveríamos permitir? Qual é o objetivo do chinês quando vem comprar uma empresa de mineração no Brasil? O objetivo não é só ganhar dinheiro e ajudar o crescimento do País. O chinês vem para garantir o suprimento de uma matéria prima a preços competitivos. Daí produz o bem final na China e exporta para nós.
A presidente eleita Dilma Rousseff disse que uma de suas metas é baixar o juros real para 2%. É possível?
Sim. A única âncora da estabilidade tem sido o aumento de juros, utilizado para combater a inflação. Não pode seguir assim. Mas temos que reduzir a Selic de maneira responsável. A intenção anunciada pelo governo de cortar suas despesas vai no sentido de reduzir a Selic.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ganhou musculatura, mas recentemente a CNI recuperou espaço. Existe uma disputa?
Não tem disputa nenhuma. Quanto mais forte for a Fiesp, mais forte será a CNI, porque a Fiesp faz parte da CNI. A força da CNI na discussão dos grandes temas também vai facilitar para que a Fiesp discuta sua própria agenda. Uma coisa complementa a outra. Agora a CNI vai ser forte no Brasil inteiro, principalmente em São Paulo. Abrimos um escritório em São Paulo e vamos ficar mais fortes ainda.
QUEM É
Mineiro de São João Del Rey, Robson Braga de Andrade, 61 anos, é o 13º presidente da CNI, entidade de 72 anos. Engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andrade preside a Orteng Equipamentos e Sistemas, sediada em Contagem (MG), que produz equipamentos para os segmentos de energia, petróleo, gás, mineração, siderurgia, saneamento, telecomunicações e transportes.
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